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Elie Horn dá o exemplo

01.06.2017

O empresário da construção civil mostra que é possível construir um Brasil mais justo e promete doar em vida 60% de sua fortuna, o equivalente a R$ 3,6 bilhões. O seu sonho? Acabar com a pobreza, a prostituição infantil e convencer outros bilionários

“Qual é o fim do homem? Qual é o fim do mundo?”, pergunta Elie Horn para o interlocutor, que precisa tentar descobrir se o empresário está usando a palavra “fim” com o significado de término ou de finalidade e propósito. O contexto seguinte deixa claro o que pretende dizer. “É a passagem espiritual deste para o outro mundo. Ajudar o outro é o passaporte diplomático, o visto para a outra vida”, responde, após uma pausa para aguardar uma resposta. Nascido na Síria e radicado no Brasil desde 1955, Horn está, aos 72 anos de idade, preocupado com as duas coisas. Para ele, o propósito maior da vida está em trabalhar para ganhar dinheiro e criar uma obra na Terra. Mas o fim da vida importa ainda mais.

 

As suas ações se direcionaram, nos últimos anos, para garantir a paz eterna. Religioso, o judeu ortodoxo que fez da Cyrela a segunda maior incorporadora imobiliária brasileira – atrás da MRV Engenharia –, com R$ 3,3 bilhões de receita bruta, mais de R$ 4 bilhões de valor de mercado e R$ 2,9 bilhões em lançamentos imobiliários no ano passado, é conhecido por ser discreto, e não cultivar hábitos extravagantes. “Comprei o meu relógio por US$ 100 há 30 anos e ele ainda funciona”, diz.

 

Também é avesso a aparições públicas. A sua presença em eventos sociais, fora de sua sinagoga e de encontros para discutir filosofia com o seu rabino, eram raríssimas. São poucas as entrevistas que deu nas últimas décadas. Fotos publicadas na imprensa eram ainda mais raras. Fotos posadas, como a que ilustra essa reportagem, são fruto de uma longa negociação, sempre simpática, mas que garante apenas uma curtíssima sessão, que não ultrapassa os cinco minutos de duração. “Não tenho máquina fotográfica, não tiro foto e não faço aniversário”, diz.

 

Mas, uma nova missão que estipulou para a sua vida está o obrigando a ser mais flexível quanto a tudo isso: a propagação dentro dos meios empresariais brasileiros da causa da filantropia. Foi por isso que Horn realizou, no último mês de abril, uma palestra durante encontro do Lide, grupo de empresários criado pelo atual prefeito de São Paulo, João Dória Jr. “Só participei porque precisava divulgar a mensagem. Pode não parecer, mas sou tímido. Fiquei muito nervoso, preparei um texto, mas foi muito ruim”, diz, com o seu sotaque judeu característico.

 

Com pouca gesticulação e um andar lento, Horn costuma conversar sempre por meio frases curtas, pensadas por alguns segundos antes de serem ditas, e com um sorriso amigável. “Quando falo rápido, ninguém entende nada”, diz. Os empresários e executivos presentes foram menos críticos. E muita gente na plateia confessou ter se emocionado com o quadro pintado por Horn da situação da prostituição infantil no Brasil, em que 500 mil crianças são abusadas.

 

Esse é o novo projeto de vida de Horn. Combater a prostituição infantil, em específico, e ajudar o País a deixar a miséria, em geral. Há duas décadas ele dedica parte de sua fortuna à filantropia, com o objetivo de doar 60% de tudo que acumulou em vida. Mas só recentemente tornou isso o centro de suas atividades. Estima-se que Horn tenha amealhado uma fortuna de R$ 6 bilhões com os seus negócios, o que garantiria cerca de R$ 3,6 bilhões para ações solidárias. O restante vai ficar para que os seus filhos, que ajudaram a convencer o pai a não se desfazer de tudo antes de sua morte, também possam continuar fazendo o bem em larga escala.

 

Não é à toa que, com os seus atos, ele vem se tornando o maior exemplo da filantropia empresarial no Brasil, uma espécie de Warren Buffett brasileiro, no que tange à promoção da importância dos que possuem mais dinheiro ajudar os mais necessitados. No país da Lava Jato, carente de bons exemplos, Elie Horn mostra que é possível criar um Brasil melhor. Para se dedicar com mais afinco a essa missão, Horn deixou, em 2014, a presidência da Cyrela, que passou a ser comandada pelos filhos Raphael e Efraim. Mas a decisão de se afastar dos aspectos mais operacionais da incorporadora está longe de significar uma aposentadoria, uma ideia que Horn nem chega a considerar. “O trabalho dignifica o homem, desde que feito para fins positivos”, diz.

 

Ele ainda preside os conselhos de administração da Cyrela e da Cyrela Commercial Properties (CCP), a divisão de imóveis corporativos e de shopping centers que se tornou uma empresa à parte, com receita líquida de R$ 420 milhões, em 2016, e que teve entre os seus últimos projetos a abertura do Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista. Horn continua chegando por volta das 7 horas da manhã na sede da empresa, para uma reza matinal com outras pessoas da companhia, antes de começar o trabalho, interrompido no fim da tarde, para uma nova oração.

 

Só termina a jornada de trabalho às 21 horas. A sua energia, no entanto, está se voltando muito às boas ações. “Dedico quatro horas do meu dia à filantropia”, afirma (leia entrevista ao final da reportagem). Ele criou o Instituto Cyrela em 2010, com o objetivo de dedicar 1% do lucro líquido da incorporadora para ações sociais voltadas a melhorar a vida das famílias dos trabalhadores. “O lema da Cyrela é fazer o bem faz bem”, diz Aron Zylberman, diretor executivo do instituto. “Mesmo quem faz filantropia desinteressadamente percebe que traz benefícios para a sociedade e para a própria empresa, já que passa a ter funcionários mais felizes e produtivos.”

 

O Instituto Cyrela ajuda a construir infraestrutura para projetos sociais, e repassa recursos para ONGs voltadas à infância e ao primeiro emprego. Em seis anos, já investiu R$ 18,2 milhões em projetos que beneficiaram diretamente 13.668 pessoas. Foram contemplados diversos programas. Entre eles, o Adus, que auxilia refugiados, o AlfaSol, fundado pela ex-primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008) para a alfabetização de adultos, e a ONG gaúcha Parceiros Voluntários, de Maria Helena Johannpeter. Mas, com a crise econômica, esse valor anual foi impactado.

 

O lucro líquido da Cyrela foi de R$ 448 milhões, em 2015, e caiu para R$ 151 milhões, no ano passado, causando uma diminuição dos repasses para a organização. “Agora estamos num período de transformação. Com recursos mais escassos, precisamos ser mais seletivos”, diz Zylberman. A menina dos olhos de Horn, no entanto, parece ser o Instituto Liberta, que combate a prostituição infantil e que entrou em operação no início deste ano depois que Luciana Temer, a professora de Direito e filha do presidente da República, Michel Temer, aceitou administrar a organização.

 

Horn admite que nunca mais participou de nenhuma reunião em que não tocasse no assunto do Liberta. “É a minha obrigação”, afirma. “Eu sou ambicioso. Sou workaholic e, se assumo uma causa, vou até o fim.” E ele busca transmitir essa mesma energia para todos os envolvidos. “Ele acompanha tudo passo a passo”, diz Luciana Temer. “Não existe descanso. Quando vamos dar uma parada, diz que a cada minuto uma criança a mais se perde.” Ex-secretária de assistência social de São Paulo na gestão de Fernando Haddad, ela elogia o fato de Horn ter escolhido uma causa tão séria, mas sobre a qual as pessoas não gostam de falar, muito menos de encarar de frente.

 

O Instituto Liberta já realizou divulgação avaliada em R$ 100 milhões, sendo que 98% foi de espaço publicitário oferecido pro bono (um tipo de cortesia) por veículos de comunicação. Toda a produção é bancada pelo instituto. A propaganda televisiva, narrada pela apresentadora Xuxa Meneghel, já é veiculada em São Paulo, e deve seguir para o Rio de Janeiro e para o Pará. O objetivo é ir cobrindo o Brasil, pouco a pouco, além de ir se aprofundando em convencer as famílias a evitar que isso aconteça em suas casas.

 

O projeto deve atingir, em 10 anos, um valor de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão em comunicação. “Não existe milagre. É um trabalho longo e difícil”, diz Temer. Horn se tornou também o primeiro – e ainda único – brasileiro a assinar com a organização The Giving Pledge, o compromisso da doação, em inglês. Trata-se de um clube idealizado por Bill Gates, fundador da Microsoft e homem mais rico do mundo, e o investidor Warren Buffett, controlador do fundo Berkshire Hathaway e quarta pessoa mais rica do planeta.

 

A iniciativa já conta com mais de 150 donos de fortunas que se comprometeram a doar mais da metade de todo o seu dinheiro. Além disso, tem usado o seu poder de persuasão para que mais multimilionários brasileiros assumam postura semelhante. Há um mês, com dois amigos cujos nomes prefere não revelar, criou um grupo para ajudar com grandes doações alguns dos projetos sociais de maior impacto do Brasil. Ele dá exemplo de iniciativas grandes o Instituto Ayrton Senna e a Amigos do Bem. “Só com causas nobres e pessoas competentes a gente consegue diminuir o índice de pobreza do País”, afirma Horn.

 

“As pessoas da sociedade civil, quando podem ajudar, têm responsabilidade de fazer isso.” O objetivo é reunir 10 grandes empresários nesse grupo e também encontrar um presidente para administrar o projeto. Muitos dos empresários mais próximos já foram afetados pelas ideias de Horn. “Depois que conheci o Elie eu passei a me dedicar mais às causas sociais”, diz Meyer Nigri, presidente e controlador da Tecnisa, empresa em parte concorrente e parceira da Cyrela. “Ele é uma das pessoas mais generosas que eu conheci na vida. Me inspirou e continua me inspirando muito quando o assunto é praticar o bem e fazer filantropia. Ele tem uma inquietação social que é contagiante”.

A Cyrela se tornou, no último ano, a segunda maior acionista da Tecnisa ao participar, com cerca de R$ 100 milhões, de aumentos de capital da companhia. Por sua vez, a Tecnisa também adotou a estratégia da rival em criar um instituto para direcionar 1% de sua receita para causas sociais. Outro grande player a fazer o mesmo foi a mineira MRV, voltada para imóveis populares. “É muito importante a postura do Elie, que é uma pessoa carismática e uma liderança no setor”, afirma Rubens Menin, fundador da MRV. “Ele transcende isso para todas as incorporadoras e é um exemplo a ser seguido. O Brasil precisa disso, porque aqui a filantropia não está arraigada na sociedade como nos EUA.”

 

A doutrinação de Horn pode aproximar a cultura empresarial brasileira da tradição americana das grandes doações. São exemplos disso os esforços de Warren Buffett, do jovem Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, que prometeu doar 99% de sua fortuna, e do casal Bill Gates e Melinda Gates, que possuem uma fundação para combater doenças que afetam regiões pobres. “O dinheiro só tem valor se, de alguma forma, puder ajudar alguém a ter dignidade e uma vida melhor”, afirmou Melinda à DINHEIRO, em outubro do ano passado. Segundo a pesquisa Giving USA, a filantropia movimentou US$ 373 bilhões nos EUA, em 2015.

 

Essa cultura da doação já é mais que centenária. Apesar de terem sido homens de negócios implacáveis que passavam por cima de quem tentasse atravessar seus caminhos, o magnata do aço americano Andrew Carnegie (1835-1919) e dono da empresa petrolífera Standard Oil e banqueiro, John D. Rockefeller (1839-1937), são reconhecidos por criarem as bases da filantropia moderna no início do século XX. Apesar do exemplo americano, infelizmente, esse fenômeno não se espalhou completamente pelo mundo. Muito menos para o Brasil.

 

Grande parte da “culpa” tem relação a uma peculiaridade das leis fiscais dos EUA. Lá, o imposto sobre heranças abocanha entre 30% e 60% das doações após a morte, estimulando a filantropia em vida. No Brasil, essa taxa fica em cerca de 4%. Mesmo assim, deveria haver mais interessados em fazer o bem em vida, uma vez que existem outros benefícios fiscais para isso. “É preciso mobilizar os empresários, até porque existem descontos no imposto de renda para as doações, o que funciona como cumprimentar alguém com o chapéu alheio”, diz Vicente de Paula Faleiros, professor da UnB e da Universidade Católica de Brasília com especialidade em filantropia.

 

“O problema no Brasil é que o governo subsidia as ações filantrópicas. É uma espécie de filantropia estatal.” Tentativas de mudar as regras aconteceram durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e, agora, na proposta da reforma da Previdência, mas não emplacaram no Congresso. De qualquer forma, parece que existe um despertar em relação ao assunto, segundo avaliação do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), que ajuda os empresários e executivos brasileiros a conseguirem mais impacto em suas ações.

 

“Nos últimos oito anos, aumentou em mais de 175% o número de associados do GIFE no universo do investimento social familiar, no qual empresários e outras pessoas ou famílias com disponibilidade de recursos dedicam-se à ação filantrópica para além de seus vínculos empresariais, saindo de oito associados em 2008 para 22 em 2016”, diz José Marcelo Zacchi, secretário-geral da organização. “Ao multiplicar os trabalhos em frentes nas quais os governos têm menor capacidade de ação, a filantropia contribui para as políticas públicas, para o fortalecimento de conquistas e a criação de tecnologias sociais.”

 

Dessa forma, se estimular mais empresários a adotarem a filantropia, Horn acredita estar criando um país melhor da nação que adotou, ao desembarcar aos 11 anos de idade. O empresário nasceu em Alepo, a cidade síria que se tornou palco de combates sangrentos entre o governo da Bashar al-Assad e grupos rebeldes, nos últimos anos. “A cidade não existe mais”, diz com tristeza. No Brasil, Horn começou, aos 17 anos, no setor de construção imobiliária na empresa de um de seus irmãos, Joe.

 

Ele era o responsável por encontrar bons terrenos para projetos.Em 1978, já separado do irmão, mudou o nome da companhia para Cyrela, e a transformou na maior empresa de imóveis de alto padrão do País. Com o pai, aprendeu a filantropia. “Quando ele morreu, não tinha muito, mas doou 100%”, afirma Horn. E, agora, esse exemplo vai ser passado para a frente. Horn conta como fazer isso.

 

“Eu me considero um pouco egoísta. Faço o bem um pouco por proveito próprio, porque faz bem para mim e se tornou um hábito”, diz. “Se você definir que vai doar uma porcentagem para a caridade, esse dinheiro não é mais teu. Você passa a ser o gestor e não mais proprietário dele. Facilita muito a vida. Se pego esse dinheiro, estou roubando.” Fica a dica. O avesso a exposições públicas Elie Horn até topou ser fotografado para poder passar essa mensagem a você.

 

Por que fazer filantropia?

Qual é o fim do homem? Qual é o fim do mundo? A passagem espiritual deste para o outro mundo. Ajudar o outro é o passaporte diplomático, o visto para a outra vida. Não dá para ir para lá sem ter o visto. Fazer o bem dá significado ao dinheiro. O trabalho em si dignifica o homem, desde que feito para fins positivos. E o bem dá significado ao trabalho.

 

Como estruturou a sua ajuda?

O Instituto Cyrela utiliza 1% do lucro da Cyrela com o objetivo de ajudar famílias de operários e trabalhadores. Já o Instituto Liberta está voltado a acabar com a prostituição de menores de idade no Brasil.

 

O senhor entrou no programa The Giving Pledge, criado pelo Warren Buffett e o Bill Gates. Como funciona e como chegou a esse programa?

É um compromisso de doar ao menos 50% de sua fortuna. Eu me comprometi a doar 60% em vida. Vou deixar uma parte para meus filhos para que eles também façam a parte deles. Três anos atrás um consultor americano me perguntou se eu fazia parte da organização e falei que não, e não sabia o porquê. Ele me mandou literatura sobre o assunto, e fiquei contente em saber que algumas pessoas doam até 99% do dinheiro. No Brasil, quem dá muito é considerada uma boa pessoa. Lá, somos anões.

 

A maior parte do seu trabalho hoje está voltada à filantropia?

Faço parte do conselho da CCP (Cyrela Commercial Properties) e sou um pouco ativo no conselho da Cyrela também, mais dando pinceladas.

 

E quanto tempo se dedica à filantropia diariamente?

Cerca de 4 horas por dia das 14 horas que trabalho diariamente.

 

É um ritmo ainda bastante forte.

Acho muito positivo trabalhar. Seria péssimo parar. Quem está acostumado, se não trabalha mais, fica perdido.

 

Tem buscado convencer mais empresários a aderir à filantropia?

Tenho pedido que todos dediquem 1% de seu dinheiro a isso. Tenho conseguido espaço gratuito em veículos de mídia para divulgar o Liberta. Já gastamos R$ 100 milhões, e 98% foi pro bono. É uma campanha que exige falar muito. Pagamos a produção das peças de divulgação. Vamos dedicar de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão em 10 anos ao projeto. Precisamos combater a prostituição infantil. Pelo menos, 500 mil meninas no Brasil são abusadas. Grande parte pela própria família. Isso não pode acontecer. Não tem uma reunião que eu faça que eu não puxe o assunto. É a minha obrigação. Eu sou ambicioso. Sou workaholic e se assumo uma causa vou até o fim. É uma missão.

 

Como está sendo gasto esse dinheiro? Como garantir que seja bem empregado?

Não pegamos nenhum dinheiro. Só usamos espaço de comunicação, em mídia. E não pegamos dinheiro de terceiro, para evitar problemas.

 

Que outras causas vai apoiar?

Junto com dois amigos queremos formar um grupo para apoiar causas nobres e grandes. Por exemplo, da Viviane Senna e a Amigos do Bem, da Alcione de Albanesi. Só com causas nobres e pessoas competentes a gente consegue diminuir o índice de pobreza do País. As pessoas da sociedade civil, quando podem ajudar, têm a responsabilidade de fazer isso. Não podemos ser omissos e achar que outro vai resolver o problema. Estamos em três pessoas e quero convidar mais sete. Vamos encontrar um presidente para esse negócio.

 

Quando surgiu esse desejo de se dedicar à filantropia?

Já tinha decidido há uns 20 anos a doar 60% do meu dinheiro. Fui elaborando as teses durante 30 anos, talvez. O meu pai foi quem me ensinou isso. Quando ele morreu, não tinha muito, mas doou 100%. Isso foi uma grande aula para mim, e me inspirou a fazer o mesmo. No começo, até chorava quando falava desse assunto. Não éramos muito próximos. Ele era bem mais velho do que eu. Eu sou o caçula. A relação não era das mais fáceis. Mas o seu exemplo me deixou muito comovido e, depois da sua morte, repensei a vida. Tem uma coisa que é bom eu explicar. Um filho de seis meses depende totalmente dos pais. Muitos anos depois, quando o pai morre, isso se inverte, e ele passa a depender 100% do filho. A sua alma não consegue evoluir mais no caminho da eternidade sem a ajuda dos filhos. No outro mundo, a única moeda que pode existir é o bem: os atos bons que a pessoa fez na vida ou os que vêm dos filhos. Todo filho que se preza e que gosta dos pais tem de tomar conta deles mesmo depois deles morrerem. O filho que não fizer o bem na Terra estará deixando o pai paralítico, sem mobilidade na eternidade. Isso não fui eu que pensei. Vem de estudos cabalísticos milenares.

 

O senhor tem se aproximado mais da religião por conta desses projetos?

A religião é a base. O que é a religião? Religar. Religião vem de se religar a Deus. Ninguém inventou o bem. O bem veio de Deus. Quem investe no bem, investe em si também. O bem tem três vetores. Se faz para alguém, o que é muito bom. Também você faz a você mesmo neste mundo. E, por fim, faz o bem a você mesmo para a eternidade. Como Deus criou tudo e não pode fazer besteira ou injustiça, aquilo que você faz em vida pode levar com você. O bem é conversível na eternidade. Alguém que não faz o bem fica vazio. Fica “pelado”.

 

Quem mais te inspira na filantropia?

No Brasil, o maior herói nesse sentido é o Amador Aguiar (presidente do Bradesco nas décadas de 1970 e 1980), porque ele criou uma escola para ajudar muitas crianças.

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